E num é que eu criei um bolo?
Quase nem acredito que eu fiz um bolo de banana e aveia com uma receita da minha cabeça e deu certo. O sucesso se deu só porque eu parei pra pensar antes de começar a fazer. E isso vale sempre.
Semana passada eu fiz um bolo de banana com aveia com uma receita da minha própria cabeça. Eu que sou fã da receita sem receita desde sempre - meus seguidores no Instagram que reclamam a falta das quantidades nos meus #foiassim que o digam - nunca havia me aventurado quando o assunto era receita doce. Muito menos bolo. Mas quando a gente vai pra cozinha tudo muda se a gente gasta uns 3 minutos pensando no que vai fazer, pensando no que o ingrediente quer ser, pensando em como a gente pode – e sabe – fazer. Tudo muda. Acredite nisso. E assim foi com o bolo. Depois de procurar N receitas de bolo de banana com aveia e ver que todos – ou quase todos – têm farinha de amêndoas e/ou de arroz na receita, eu resolvi me aventurar e fazer eu mesma, pensando bem antes e durante, uma receita pra quem sabe chamar de minha.
Na verdade, preciso dizer, não me aventurei sozinha. Busquei uma cúmplice, minha mãe. Se desse errado, não tinha errado sozinha. Facetime em mãos, Dona Gê na linha, ingredientes separados e lá fomos nós. Bolo precisa de ovo, precisa de alguma farinha, precisa de alguma gordura, precisa de fermento... E seguimos. Pensei em receitas que eu já tinha feito, pensei em proporções, pensei. Dá pra brincar assim quando a gente vai pegando intimidade com a cozinha. É ela que ajuda a gente a fazer perguntas e também a buscar respostas (né, mãe?). Saí anotando tudo. Se desse certo, sabia repetir. Se desse errado, poderia buscar o ajuste. Cozinha é isso, gente. Tentativa e erro. Não adianta desanimar e não tentar de novo quando algo não saiu como a gente queria ou , pior, imaginou.
Forno. De olho no tempo de assar. Deu certo! Pelo menos no meu gosto e no que eu esperava que fosse ficar. Tudo é alinhamento de expectativa, né? Não podemos esquecer nunca disso. Pra vida.
Cortei o bolo, a massa ficou gostosa. Não é aquele bolo mega fofinho, claro. A aveia deixa a massa mais grudentinha (eu gosto), mais molhada. Mas não podia ficar embatumado. Não ficou. Tinha textura de bolo. Oba! Eu amo o sabor da aveia. E junto com as coisinhas que eu acrescentei pra dar textura, ficou bem delicioso. Por 4 dias eu comi o bolo em diversas ocasiões (e cada dia parece que ele ficava melhor). No café da manhã, no lanche da tarde com cafezinho, de sobremesa com uma colherada de doce de leite ao lado… Meu namorado também gostou. Minha mãe ficou com vontade. Enfim, sucesso.
A ideia desse bolo é que ele seja bem rico, saboroso e aí você pode colocar o que quiser. Por exemplo, as ameixas podem dar lugar a damascos, uva passa, figo seco, tâmaras…. (embora ameixa e damasco tragam um azedinho imbatível). Dá pra colocar também nozes picadas, ou castanhas de caju… é um bolo que pode ter várias caras. Eu coloquei o que eu tinha em casa.
Se você quiser testar aí pra ver se é do seu gosto, segue a receita. (tem mais de uma forma de medida porque eu anotei e resolvi postar pra mim mesmo depois. Achei que podia ser útil pra você também. Mas a gente sabe que usar balança é sempre mais prático).
Ingredientes:
3 bananas bem maduras amassadas
3 ovos
60g de açúcar demerara (ou 1/3 xícara) – é bem pouquinho mas eu acho que faz diferença para puxar o dulçor da banana. Você pode tentar não usar, se preferir.
120g de iogurte natural (ou 2/3 xícara)
50g de óleo de milho
120g de farinha de aveia (ou 1 xícara)
50g de aveia em flocos (ou ½ xícara) – acho que dá textura e sabor.
90g de maçã picada em cubos pequenos (ou 1 maçã M ou ½ grande) – acho que ajuda no dulçor e dá textura.
80g de chocolate 70% picado – usei aquelas drágeas já redondinhas.
40g de ameixa seca picada (ou +- 9 ameixas) – pode ser damasco, uva passa, figo seco... eu gosto do azedinho da ameixa.
1 tampa de fermento em pó (1 colher de sopa)
1 pitada de sal
1 ponta de colher de bicarbonato
(Veja bem, as quantidades do que eu considero “recheio” - ameixa, chocolate, maçã - podem ser super no olho. Coloca e mexe e vê a proporção com a massa.)
Modo de fazer:
Mistura primeiro a banana, os ovos, o açúcar, o iogurte e o óleo. Depois acrescenta e mistura a farinha e a aveia. Com a massa mais “montada”, coloca os “recheios”. Eu queria um bolo bem rico e coloquei maçã, ameixa seca e chocolate amargo. A maçã dá dulçor e textura. A ameixa com o chocolate é uma mistura que eu amo. E eu acho que tudo combina com banana. Rsrsrs. Por último, a pitada de sal, o fermento e o bicarbonato que ajuda no crescimento. Coloca numa forma redonda de furo no meio untada com óleo e farinha de aveia (dá pra ser com desmoldante ou com manteiga e farinha de trigo que desenforma melhor). Leva ao forno já pré-aquecido a 180 graus. No meu aqui que é elétrico ficou 50 minutos pra poder assar e dourar em cima. Tira do forno, espera amornar e desenforma morno com a ajuda de uma faquinha passando nas laterais. Eu comi até 5 dias depois e continuou ótimo.
Nota 1: É bom que se diga: não se trata de um bolo fit , se trata de uma opção que eu quis sem farinha de trigo. Ponto. Existem mil receitas de bolos “sem glúten” com tapioca, farinha de arroz, amêndoas, polvilho e etc. A ideia aqui não é essa. Até porque aveia tem glúten, rs. Eu adoro o gosto e a textura da aveia, eu acho mais nutritivo que farinha de trigo e acho que é uma boa alternativa pra mim quando quero consumir menos farinha de trigo e algo mais nutritivo. Não precisa vir as nutri tudo ou as louca tudo dizerem que aveia é carbo, que aveia é calórico, que aveia isso ou aquilo. Eu não dou a mínima. Eu amo aveia, acho nutritivo, acho que tem benefícios e, no bolo todo, com todo o resto que vai no bolo, faz uma boa composição de ingredientes e nutrientes e fibras - disse a nutri que mora dentro de mim. E é gostoso a beça. Paz? E amor?
Nota 2: Eu não testei com outra forma mas eu acho que esse é um bolo que pede mesmo a forma de furo no meio pra ajudar a assar melhor a massa. Pensei e cheguei a essa conclusão. Se for usar outra forma, acho que só mudaria para uma forma de bolo inglês ou aquelas menores de cupcakes que deve ficar bom também.
Nota 3: Eu não tirei nenhuma foto. Só fiz esse mísero vídeo para os stories do Instagram quando já estava no final.
Tô faladeira…
Semana passada eu falei a beça sobre comida e memórias de duas formas que me animaram muito e queria dividir aqui com quem não viu quando compartilhei no Instagram.
A primeira foi um convite da Prazeres da Mesa para escrever a última página da revista sobre o bolovo do Bar Cambará. A editora soube eu eu estive lá e queria falar sobre esse quitute feito pela chef Giulia Simokomaki, que tem uma massa bem diferente e brasileira. Conversei com a Giulia e adorei o resultado. Tem até receita!
A outra foi um bate papo delicioso no podcast de um perfil que eu amo, o Acostuma. A Paula e Luisa fazem há 3 anos um conteúdo muito consistente, prático e saboroso sobre como tornar a cozinha mais prática e gostosa. E me chamaram pra conversar sobre autonomia alimentar. Dei umas dicas dos meus atalhos, de como me organizo pra cozinhar só pra mim e comer bem, e algumas coisinhas a mais. Vale escutar! Passa rápido, juro. Aliás, elas estão aqui no Substack com uma newsletter muito bacana que eu recomendo a assinatura.





Adorei a receita de bolo! Acho que o iogurte foi um fator decisivo para deixar ele com essa cara suculenta! Já quero fazer aqui em casa! <3 Foi um prazer conversar com você e aprender com seus truques! Um beijo, Lu! LZ